Está em pleno andamento a temporada de debates nas entidades empresariais entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. Ontem, foi a vez do Tá Na Mesa da Federasul com a ausência do candidato Luciano Zucco, do PL.
Não foi assim quando não compareceu no debate da Associação Comercial de Porto Alegre. Dá para entender essa atitude em parte. Zucco lidera as pesquisas e quer evitar desgastes e deixar o tanque cheio para debates nas redes de televisão. É um risco, e explico o motivo.

Zucco não tem experiência administrativa e poderia usar o debate para expor seu plano de governo, o que já fez em outras oportunidades. Ocorre que encontros deste tipo têm repercussão que não é medida pelo número de presentes, no caso reunião-almoço, mas O QUE SE DIZ DELE. Nos debates da TV é a mesma coisa, interessa a versão e não o fato.
Equívocos
Ontem, aconteceu mais um desses episódios que, a essa altura do campeonato, eu acho engraçados. Como o formato do programa previa perguntas entre si, o governista Gabriel de Souza (MDB) e o tucano Marcelo Maranata, ex-prefeito de Guaíba, com boa avaliação popular, trocaram palavras ásperas sobre obras contra enchentes. Enquanto o inimigo (inimiga) comum, Juliana Brizola assistiu o breve embate de camarote.

Pelo menos ela só falou uma vez sobre seu avô, Leonel Brizola. O ex-governador gaúcho e carioca deixou há muito tempo de influenciar voto.
Números, o inimigo
Números não funcionam em propaganda eleitoral e debates, repito sempre. Mesmo antes do candidato se apresentar como tal, quer divulgar o que fez ou o que faz no governo expresso em cifras e porcentuais.
Digo sempre para colegas da imprensa, anotem um que outro número essencial e preste atenção no que se fala. O cérebro não processa duas informações ao mesmo tempo, ou você anota ou presta atenção.
Na política, é a mesma coisa, com um agravante. Uma pessoa comum consegue entender o que é um milhão de reais porque esse é o valor de uma moradia que ele gostaria de ter.

Passou de 5,7 milhões capta até por aí porque é o que uma Mega Sena não acumulada paga. De 10 milhões em diante, tudo é a mesma coisa. Se ouvir 100 milhões ou 100 bilhões é a mesma coisa.
Lembrei de uma frase do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt quando se recusou a visitar mais de uma favela no Rio de Janeiro: viu uma, viu todas.
Confrontos e encontros
Se um candidato que é governo quer vencer um debate, nunca deve entrar no jogo de outro candidato que é oposição. Vai perder sempre. Ignorar provocações é uma arte.