No final dos anos 1970, o Ministério ds Agricultura baixou uma norma absurda, a proibição de se chamar salsichão de salsichão e, sim, de linguiça camponesa. Só o cérebro danificado de um burocrata empedernido seria capaz de algo tão estapafúrdio. Mas era a regra e ponto final.
Na época, eu era ator de comerciais de televisão nas horas vagas. Então, fui contratado por um publicitário do Frigorífico Costi, Paulo Bufara, para uma peça publicitária que botasse os pingos nos iis. Eis que o salsichão era o carro-chefe do Costi. Era um texto de 30 segundos sobre as qualidades da “linguiça camponesa Costi”.
Nada muito criativo. Mas na hora da gravação, tive uma ideia.
Um pouco antes do comercial chegar aos 30 segundos, saí de cena, esperei um pouco, botei a cara em cena de novo e acrescentei um caco, mas só o rosto, como que espiando.
– Linguiça camponesa Costi. Mas pode me chamar de salsichão.