Quando eu tinha meus 18 anos, o pai me pedia para buscar a Kombi no estacionamento de uma oficina próxima de casa. Mesmo tendo que acordar cedo, eu ia todo serelepe buscar a possante. Afinal dirigir por três ou quatro quadras sempre melhorava meu aprendizado na direção.
Certo inverno, com frio de rachar, fui ao estacionamento e liguei o motor, esperando que ele esquentasse um pouco. Na minha frente, um palestino que tinha uma lojinha e um carrinho inglês chamado Cônsul tentava fazer o mesmo. Mas o motor só ligava por alguns segundos.
Então ele me chamou.
– Batrício, faz favor bra amigo. Senta na meu caro e liga o aranque. Vou ver se passa corente no distribuidor.
Achei meio perigoso, afinal a corrente era de alta amperagem. Entretanto, não me passou pela cabeça como ele iria saber. Ele abriu o capô do autinho inglês e gritou:
– Bode virá!
Toquei no botão de arranque e o motor fez NHEM NENHEM. Em seguida, ouvi um estrondo. Cortei e fui ver o que houve.
O batrício tinha tirado a proteção do distribuidor, botou a mão no polo e mandou eu virar o arranque. O choque o levantou e deu de cabeça no capô. Passava corrente sim, não era por aí.