Search

Não dá a ideia

É muito perigoso dar ideia no Brasil, porque invariavelmente se cria um monstrengo. Por exemplo, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), disse que o plenário do Senado deve restaurar o trecho que determina que integrantes da Casa Alta tenham um mandato de 10 anos. Ora, a proposta inicial era o contrário, em vez de oito anos, cinco sem reeleição. 

Há um mês, alguém sugeriu que se mudasse a proporção de deputados federais por Estados, o que deu ideia para algum da Mesa sugerir aumento do número de parlamentares. Viram?

https://lp.banrisul.com.br/bdg/link/conta-digital.html?utm_source=fernando_albrecht&utm_medium=patrocinio&utm_campaign=conta-digital&utm_term=visibilidade&utm_content=escala_600x90px

O engraçado é que aprendi cedo que dar ideia não é uma boa ideia. Foi no meu tempo de publicitário, em paralelo com o jornalismo.

Foi assim. Eu trabalhava em uma pequena house organ, agência de um grupo de empresas, mas que aceitava trabalhos “por fora”. Um desses clientes pediu uma nova identidade visual, um logotipo novo. 

Foi para a área de Criação e dei o briefing. Era uma indústria de médio porte. Entrou uma areia comum neste bendito estado, o pai do presidente encasquetou com o logo antigo, que não era ruim. Paciência, vamos faturar, certo?

Dias depois, o diretor de Criação me mostrou duas propostas, e eu as levei para a diretoria. O velhinho gostou de uma, mas, em seguida, pediu uma terceira. 

www.brde.com.br

Viram no que dá dar a ideia? No final, não quis nenhuma das três. Não sei no que deu, saí da agência para produzir um programa sobre bolsa de valores na então TV Gaúcha.

De outra feita, ajudei um casal de noivos amigo a escolher o jantar de casamento. O restaurante do hotel onde seria o casório sugeriu fricassé de frango – na época, coisa de gente fina, nunca entendi por que – que seria degustado pelos noivos para aprovação. Foi então que o Chef deu uma ideia que se revelou má ideia: apresentou uma alternativa, filé de carne bovina com um molho especial.

O casal fez a degustação, mas a noiva queria uma terceira opção. Depois de muitas idas e vindas e tempo perdido, ficou mesmo o fricassé. Mas de cara amarrada. Então dar a ideia até inimigos cria.

Os recicladores e sua pobreza

O Brasil gera 82 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, dos quais apenas 4% são reciclados, de acordo com a  Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente. Estima-se que estejam em ação cerca de 800 mil catadores, segundo dados do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), que são protagonistas quando o assunto é reciclagem. Porém, a grande maioria está em situação de vulnerabilidade, com remuneração baixa e atuação em ambientes precários, como ruas e lixões.

Foto: Fernando Albrecht

Em Porto Alegre, surgiu uma situação curiosa. Para evitar que os catadores joguem o que não lhes interessa na calçada, a Prefeitura instalou dezenas de contêineres que só permitem jogar restos orgânicos sem possibilidade de retirar nada do interior – a população joga de tudo neles. Reação dos catadores: botaram fogo neles.  

https://cnabrasil.org.br/senar

O interesse dos catadores por latas de alumínio se deve ao fato deste metal não oxidar, enferrujar. Então não precisa de depósitos cobertos, podem ficar ao ar livre. A diferença entre o quilo da lata e o lingote se deve ao processo de limpeza e fundição.

Acontece o mesmo com o vidro, que é reciclável sempre. Não acontece com o plástico, cuja reciclagem tem limite e é pequena.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

Deixe sua opinião

Publicidade

Publicidade