Com alguma frequência penso em ser faroleiro. Por definição, eles ficam longe, isolados, fora de aglomerados urbanos, longe de gente, de trânsito, de notícias ruins da TV aberta, de jornais. Seria só eu e meus fantasmas prediletos. Sim, sim, confesso que a misantropia me atrai. A humanidade não deu certo porque está fadada a não dar certo. Desde guri sonho em ficar só na parte mais alta do farol assistindo a alguma borrasca de respeito, pingos salgados escorrendo pelos vidros lavando minha solidão.