Perguntam-me se não vou para a praia no feriadão. Obrigado, mas minha cota de sofrimento na cidade grande já está completa.

Passar protetor solar em todo corpo, esperar bons minutos para botar calção, carregar guarda-sol e bolsa da mulher, fincar o guarda-sol na areia justo quando ele não quer abrir por causa da maresia que entupiu o mecanismo. Depois disso, sentar no chão esperando uma micose, comer milho verde com areia jogada por marmanjos achando que são malandros e crianças correndo perto do seu minguado território, espalhando areia que gruda no corpo deixando-o com aparência de veranista à milanesa.
Logo mais, ser explorado por vendedores de refrigerantes (ainda bem que não bebo, senão morreria de cirrose causada pela cachaça da caipirinha pronta que sua mulher inventou de comprar), e – acuda-nos bom Deus! – aguentar a música horrorosa do aparelho de som do vizinho ou dos alto falantes berrando “criança perdida”.
Ainda ter de entrar na água fria, pisar em mãe-d’água e, depois, fazer o caminho inverso com queimadura do sol na parte que esqueceu de passar o filtro e ser explorado pelo restaurante da esquina na hora do almoço. Não obrigado.