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Veja mal

A expressão “veja bem” é como a música Como uma onda no mar, do Lulu Santos. E bota onda repetitiva nisso. Ela começou a ser usada no mundo executivo paulista por volta de 1977, custou alguns anos para adormecer e agora está de volta como um fantasma que cria corpo. Fantasma pessoa física.

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ESCASSO COMO CABELO EM OVO

Brasileiro tem destas coisas, causadas pela escassez de vocabulário das gentes. Como não tem muita lenha nessa serraria, elas a repetem e, ao cabo de algum tempo, torna-se enfadonha. O pior é que quem a usa acredita que fez uma tremenda de uma sacada e está podendo no mundo que ele acha fashion. Que nada. Tornou-se vulgar como o falar de boa parte dos atletas de futebol.

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FERROVIA DA PERDIÇÃO

Alguns, e não só jogadores. Políticos também, para ficar só neles. Sofrem de uma síndrome que podemos definir como uma voz à procura de uma ideia. É comum começarem um assunto e depois enveredam pelos caminhos do aposto e costumam perder o fio da meada, outra síndrome chamada “mas o que é que eu estava falando mesmo? Ah, sim!” Detalhe: nem sempre acham a trilha perdida. É como ir de Porto Alegre a Caxias do Sul via Uruguaiana e se perder no caminho.

VAMOS, MAS VOLTAREMOS

De certa forma, a construção das primeiras ferrovias no Rio Grande do Sul tem essa assinatura. Saindo de Porto Alegre tendo como destino Rio Grande, na Metade Sul, o trem ia ou ainda vai primeiro para Santa Maria e Cacequi, no centro do estado, para depois fazer uma diagonal rumo a Bagé e, só então, aproar Pelotas e Rio Grande. Como é dedutível, já nascemos com vocação de aposto. Como dizia o garçom Dídimo, nóis vai mas nóis vorta.

INFANTICÍDIO

Para quem não é gaúcho: para piorar tudo, quando as ferrovias começaram a ser traçadas, optaram por trilhos com bitola de 1m em vez do clássico 1m20, o que impedia a composição ganhar velocidade mesmo que as locomotivas a vapor ou diesel-elétricas tivessem potência para tal. A explicação: por temer uma invasão argentina via ferrovia – a Argentina usava 1m20 – os gênios logísticos da época mataram um trem de verdade já no trabalho de parto.

PENSAMENTO DO DIAS

Já estamos no dia 2 de janeiro. Como este ano vai passar rápido.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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