Em Notas, uso a expressão “jabureca”, falada na cidade de Alegrete, RS. Pois a avó da minha mulher contou a história de um dos primeiros automóveis que apareceu na região, no início do século XX.
Toda a Fronteira Oeste tinha, e em parte ainda tem, propriedades rurais que vivem da agropecuária. Na época, mais pecuária que agro.
Um vizinho de Dona Biba, esse o nome da minha alegre avó emprestada, comprou um rutilante automóvel e contratou um chofêr – do francês chaufer – que não era lá muito manso na direção, posto que novidade era. Valdomiro era seu nome.
Embarcaram no possante num domingo pela manhã. E lá se foi a família aboletada no carro dar a volta na praça.
Lá pelas tantas, a mulher do pecuarista se alarmou com a velocidade do automóvel. Meio que em pânico, segurando o chapéu novo para não perdêlo na luta contra o vento, ela berrava para o motorista parar, ou assim pensava ela.
– Açulera, Valdomiro, açulera!
Na dúvida se era para aumentar a velocidade ou pisar no freio, Valdomiro optou por “açulerar”. Eis uma cena que eu gostaria de ter visto e ouvido.