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Um país obsceno

Leio que houve um aumento de 60% no ou nas MEIS, microempresas individuais, dados de 2024. Em parte, não foi por vontade própria, mas porque os empregadores assim exigiram.

O limite de faturamento anual passou para 140 mil reais. O percentual passou de 41% em 2013 para 60% em 2024, segundo dados do Sebrae. Os dados disponíveis não detalham quantos desses milhões de brasileiros estão mais para 12 mil reais mensais e quantos estão na rabeira desse limite.

Por trás da aparente revelação de que o brasileiro gosta de empreender está outra mais cruel, a de que o empregador não gosta de contratar com carteira assinada. Em parte porque no Brasil empresário paga quase duas folhas para contratar empregados. 

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Deve ser um recorde mundial. Há países com encargos mínimos que levam os empresários a contratar com gosto, que não é nosso caso.

A queixa empresarial é de que funcionários CLT vivem entrando na Justiça do Trabalho. E, mesmo sem razão, eles sempre levam alguma coisa. 

Um amigo que tem lancheria contou seu drama. Muitos atendentes esperam seis meses para depois entrar com reclamatória trabalhista.

Isso feito, entram no Bolsa Família ou auxílio desemprego, o que pagar mais. Findo o período deste benefício repetem o esquema em outra empresa.

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Do lado dos contratados as queixas são variadas além do baixo salário. Uma delas é que eles ficam marcando passo, sem chances de progredir na empresa.

Já os patrões se queixam da falta de qualificação e empenho. Ambos esta corretos. O brasileiro médio resiste à qualificação alegando que ter esta condição não melhora o ganho mensal.

Empresários não dão o PPR, participação sobre os lucros, alegando que, em caso de reclamatória, esse plus entra no salário médio.

 Como diz o ditado, em casa que não tem pão, todos brigam e ninguém tem razão.

O pano de fundo dessa tragédia é que a carga tributária em geral e os encargos sobre a folha são altos e, eu diria, obscenos. Isso porque o governo precisa cobrir o  buraco que ele mesmo cavou, e cavou fundo, pois gasta muito e gasta mal.

Entra presidente, sai presidente, e nenhum deles sabe como sair desse impasse. O Congresso fez uma reforma trabalhista pela metade.

https://www.senar-rs.com.br/

A carga tributária é medonha e o que faz o atual governo? Tira a parte do Leão de quem ganha menos de 5 mil mensais e cobre esse buraco com quem ganha mais que isso. 

A cereja do bolo

Em muitas regiões do Rio Grande do Sul há empregos de sobra, mas faltam candidatos porque os benefícios sociais do governo pagam mais. Então por que trabalhar?

Sai dessa, parceiro. Somos  um desastre perfeito.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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