Ele era garçom no Chalé da Praça XV, Centro de Porto Alegre, no final dos anos 1970. Misto de ar e restaurante, abrigava o que hoje chamamos happy hour. A clientela era vasta e abrangia desde passantes atraídos pelo cheiro do chope até profissionais do copo. Era reduto de políticos, músicos e jornalistas.
Um dia, ele perdeu uma das lentes dos óculos. Nem mesmo se deu conta na hora, colegas o avisaram depois de um bom tempo. Entrementes, servia a clientela, que certamente estranhava uma pessoa usando óculos desse jeito.
Como se fosse combustão espontânea, o apelido surgiu rápido: Ocrinho. E ficou sem ela até que, finalmente, colocou a lente faltante meses depois. Dizia que não fazia falta. Para evitar olhares esquisitos, colou um esparadrapo na armação.
Ficou mais esquisito ainda.
