O Egon era um próspero comerciante madeireiro. Tinha um padrão de vida alto, era benquisto por todos, boa posição social, mas uma infelicidade tornou-o um sujeito triste. Ficou careca desde cedo. Isso em uma época em que carequice só atingia os velhos e olhe lá.
Esse fator aborrecia-o tanto que só falava nisso. Era um lamento ambulante. Em roda de café, churrasco, festa de casamento, só falava nisso. Obviamente, começou a ficar chato. Por mais que os amigos o aconselhassem a se resignar com sua condição, mais ele chorava as pitangas perdidas. Certo dia, em uma roda de carteado, começou suas lamúrias quando foi interrompido por um arriado.
– Diz uma coisa. Já passaste sebo de capincho na careca?
O desventurado cabeça de ovo já tinha tentado de tudo, desde óleos a pomadas de curandeiros, alvoroçou-se com a ideia de usar gordura de capivara.
– Não! Nasce cabelo?
O muy amigo passou os dedos na farta melena grisalha.
– Isso eu não sei. Mas dá um brilho…
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