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Surfando nas desgraças

Viver, trabalhar e empreender no Rio Grande do Sul não é fácil. Entre uma enchente e outra, temos estiagem.

De alguns anos para cá, até os temporais de inverno evoluíram, agora temos tornados que só se via em documentários no meio oeste norte-americano. Na terça feira, o Rio Grande do Sul teve tornados em três  cidades do interior. 

O nível dos rios aumenta a qualquer chuvinha, que quase sempre se aproxima ou ultrapassa os 100mm. Os ventos chegam perto dos 100 km/h. 

https://www.banrisul.com.br/bob/site/link/campanha-credito-pf.html?utm_source=fernando_albrecht&utm_medium=patrocinio&utm_campaign=tacomcredito&utm_term=visibilidade&utm_content=escala_600x90px

O artigo mais comprado ou doados pela Defesa Civil são lonas plásticas para quebrar o galho em casas que perderam o telhado. Lojas de construção civil estão vendendo telhas e tijolos como nunca.

Antes limitados aos pescadores e ribeirinhos de rios estreitos, caíques e canoas já fazem parte do cenário de casas a uma distância que, em outros tempos, causariam estranheza. Moradores às margens só não se desesperam porque as prefeituras disponibilizam ginásios cobertos para abrigar flagelados. Com comida quente três vezes por dia, que parte deles só come duas no dia a dia.

Moradores das cidades atingidas são solidários e doam roupas e remédios básicos. Cada cidade tem sua Defesa Civil bem organizada, sob um comando central.

https://observatorio.fecomercio-rs.org.br/home?utm_source=fernando_albretch&utm_campaign=observatorio_do_comercio&utm_content=competence

Este é um lado positivo dos desastres ambientais. E como em todo El Nin̈o, o inverno gaúcho não tem frios de gelar a alma, como de hábito.

Quando as chuvas cessarem, vão entrar as massas de ar polar. Dessas que costumamos definir como “frio de renguear cusco”.

 Gaúcho não tem folga no clima.

Cicatrizes da alma

Quem mora ao alcance de inundações adquiriu um hábito, o de ver o nível do rio que banha a cidade. Até mesmo quem mora nas partes altas entra no clima, digamos assim, e olha preocupado o marcador da régua e quanto falta para atingir a cota de inundação.

https://www.senar-rs.com.br/

É uma neura solidificada pela enchente de 2024. Em regiões como o Vale do Taquari, houve duas e até três enchentes antes de 2024, como a de 2023.

Ficaram cicatrizes na alma, que levaram muita gente a mudar de cidade e até de estado. Quem pode condelá-los, se a natureza se tornou inimiga?

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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