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Reflexões de um ET

Pensando bem, o hábito gaúcho de fazer enormes sacrifícios para ir ao Litoral é daquelas coisas que seriam alvo de piadas de algum ET que sobrevoasse a orla. Multidões – digamos que sejam gnus, como nos documentários sobre migrações de animais na África – saem em desabalada correria assim que o verão começa, mais especificamente, depois do Natal e Ano Novo.

Se nosso ET fizesse um relatório diria que a migração humana seria incompreensível. “Eles saem da cidade grande quando ela começa a esvaziar e vão para a praia quando ela começa a encher. Depois, no final de fevereiro e início de março, fazem exatamente o contrário.”   

Coisas nossas

Mas são coisas nossas, como diz um samba de Noel Rosa. Como tudo no Brasil, cidades e praias eram boas até meados dos anos 1970, quando tudo começou a degringolar aqui e no mundo.

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Para ficar nas nossas praias, mesmo que elas estivessem cheias em décadas anteriores, não havia essa loucura geral e muito menos o domínio das drogas. Até as bebedeiras eram diferentes.

Fincar o guarda-sol na areia e ter um relativo espaço vital, as rodas de chope no final da tarde nos barzinhos do bairro ou entorno dos prédios, essas eram práticas diárias.

Essas rodas tinham início e fim. Em boa parte, em prédios e moradias no epicentro desses bares era gente do interior, que, no final do veraneio, partiam para suas cidades de origem e deixavam saudades. E eram mútuas.

Isso foi terminando para dar lugar a individualismos. Cada um no seu pedaço, é o lema.

O pão da praia

Sempre se dizia que o pão d’água das padarias da praia era superior ao da cidade. E era mesmo, por uma simples razão.

www.brde.com.br

A farinha de trigo utilizada não podia ser misturada com outras como a de mandioca, prática comum em décadas passadas. E não podia porque esta farinha reage com a maresia e azeda. Então, tinha que ser semolina pura.

Os andares de cima

Não faz muito se dizia que o Brasil tinha três classes: a dos ricos, os da classe média e a dos pobres. Só que a classe média desapareceu, só fica a alta classe média.

Hoje são quatro, a original empobreceu. As três mais a dos que enriqueceram com fraudes e golpes e esconderam o dinheiro em algum lugar inatingível.

Podem abrir sigilo bancário à vontade. Só vigarista chinelão deixaria mal havido em um banco.

O peixe é pro fundo da rede….

…segredo e pra quatro paredes, diz uma música dos anos 1950. Não só o banqueiro Daniel Vorcaro que teme a abertura da contabilidade do seu banco, o Master.

Talvez ele seja apenas um dos peixes grandalhões. É por isso que estão tentando desesperadamente reverter a intervenção do Banco Central, para que ele volte a flutuar a tempo de limpar sua contabilidade. O Brasil virou um faroeste sem lei e sem alma.

Fica a impressão que estamos entregues às baratas. E com elas ficaremos. Não há a mínima chance de passar o Brasil a limpo.  

https://www.senar-rs.com.br/

A fortuna de Neymar

O jogador de futebol Neymar exibe helicóptero, jatão e Batmóvel, uma coleção de R$ 300 milhões. Quando aparece alguém com essa grana toda, lá na Fronteira, a pergunta é essa: mas quanto ganha um animal desses?

Bom para ele que ganhe bem. Mas ostentar nunca é uma boa.

Cautela e caldo de galinha

Não fazem mal a ninguém, diz um antigo ditado. O Sistema FIERGS avalia que o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Venezuela impõe um cenário de cautela e pode repercutir nos negócios da indústria gaúcha, ao ampliar a sensação de insegurança e instabilidade na região, mesmo que os impactos diretos sejam restritos.

Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, episódios como esse tendem a elevar o grau de incerteza nos mercados, com efeitos sobre custos de produção e decisões de investimento, embora “a relação comercial com a Venezuela já não tem hoje o peso que teve no passado”, analisa Bier.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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