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Quanto as testas falavam

Quando tudo começou, a humanidade só sabia expressar emoções básicas que precisavam de um tradutor, alguém da espécie, Como os animais hoje, só especialistas para saber se estão alegres, tristes ou chorando.

Os cães, pelo menos aperfeiçoaram os rabos para mostrar que estão contentes. Os humanos não tinham mais rabo e sambiqueira, não dá para sacudir.

As de frango dá para comer, mas nem as penosas têm rabo que deveriam ter – só penas – pois descendentes de dinossauros são. Em algum ponto entre 300 mil e 70 mil anos, houve espaço para sentimentos intermediários e avançadinhos para a época, como ironia e, bem depois, sarcasmo.

Foi a época em que os olhos começaram a falar, às vezes de forma ensurdecedora. As mãos sabiam falar bem antes disso. Entretanto, ainda circunscritas às emoções básicas com uma que outra nuance. O dedo médio espetado no ar dos americanos é bem recente, em termos históricos.

E assim caminhou a humanidade até atingir o ponto em que rostos formavam um conjunto capaz de ser entendido por qualquer um. Verdade que quase escorregamos de volta.

Um exemplo foi o ator de cinema Victor Mature, anos 1940 em diante, que só sabia expressar emoções franzindo ou não a testa. Só tinha essa cara.

Testa franzida dele podia ser raiva, medo, pesar. Testa lisa, bom, aí precisava de um tradutor. Mas foi apenas uma anomalia cinematográfica, por assim dizer.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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