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Os discursos de Fidel

“…de saída, o comandante disse que faria apenas uma breve saudação”

Dizem por aí que o povo cubano enxergou um lado bom na aposentadoria definitiva do comandante: não ter mais que aturar os longuíssimos discursos de Fidel. Houve tempo em que o companheiro falava pra mais de metro. Menos de cinco horas era curta metragem. Quando alguma delegação estrangeira visita Cuba, sabia que lá vinha bomba. O deputado Eliseu Padilha gostava de contar da visita que fez a Cuba, ele e uma comitiva de deputados federais. Ficaram lá alguns dias e naturalmente que o grand finale foi um jantar oferecido pelo comandante à comitiva brasileira. Lagosta. De primeiríssima. Havia um pedestal com microfones e os brasileiros deram como certo que Fidel faria mais um dos seus longuíssimos discursos. Engano. Ele foi ao pedestal e já de saída foi dizendo que faria uma breve saudação. Dito e feito, foi vapt-vupt. Pouco depois, Fidel percorreu as mesas e fez uma parada na mesa onde estava Padilha. Conversa vai, conversa vem, o deputado brasileiro elogiou a lagosta que estava sendo servida, maravilhosamente bem temperada. Sabedor que Fidel apreciava bons pratos, perguntou qual a receita. Má idéia. – Bueno… O homem engrenou uma primeira e adentrou nos entretantos, desde como o crustáceo era capturado, a preparação e os temperos. Quando engatou uma quinta, era madrugada alta.

 

 

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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