Meu amigo Edgar Pozzer completou ontem 80 anos. Não faz muito, podia ser admirado no Bar Girassole, na Vieira de Castro, cantando músicas românticas italianas. Nos anos 1960, o Edgar fazia um sucesso tremendo como “crooner” do Conjunto Norberto Baldauf, mas também nas rádios e até na TV Piratini, hoje TVE. Naqueles verdes anos, os clubes sociais promoviam bailes pelo menos uma vez por mês, e o Baldauf era um dos mais requisitados.
Outra moda eram as reuniões-dançantes, meio termo entre baile a rigor e o dançar ao som de música mecânica ou um pequeno conjunto local, de preferência. Os discos normalmente eram de grandes orquestras nacionais e internacionais e, ora quem, gravações do Edgar Pozzer com o Norberto Baldauf. Confesso que ficava com ciúmes do boa pinta gringo.
O Edgar foi o cara que mais suspiros por minuto arrancava da mulherada. Era só ouvir as primeiras sílabas do Al Di La – Al di la; del bene piu prezioso, ci sei tu/Al di la; del sogno piu ambizioso, ci sei tu/Al di la; delle cose piu belle/Al di la; delle stelle, ci sei tu – que elas reviravam os olhinhos e punham o queixo nos dedos entrelaçados das mãos, cotovelos na mesa.
Nessa hora, não adiantava você ser bonitão, ter uma boa lábia ou mesmo ter o amor da lindeza à sua frente se não cantasse ou no mínimo tocasse violão – as mulheres se amarravam em quem soubesse tocá-lo. Não senhores, se o Edgar Pozzer aparecesse lá, num passe de mágica e levantasse um mísero dedinho, elas sairiam correndo e tirando as roupas no caminho.
Covardia. Bonito, italiano, cantando músicas românticas italianas, o must na época. Qual era nossa chance? Depois dos bailes em que ele cantava, o mulherio continuava em alfa, um estado “zem-vergonha” por assim dizer.
Não é à toa que “cantada” vem de cantar.
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