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O trem do zigue-zague

Alguns, e não só jogadores. Políticos também, para ficar só neles. Sofrem de uma síndrome que podemos definir como uma voz à procura de uma ideia. 

É comum começarem um assunto e depois enveredarem pelos caminhos do aposto e costumam perder o fio da meada. Outra síndrome chamada “mas o que é que eu estava falando mesmo? Ah, sim!”

Detalhe: nem sempre acham a trilha perdida. É como ir de Porto Alegre a Caxias do Sul via Uruguaiana e se perder no caminho.

De certa forma, a construção das primeiras ferrovias no Rio Grande do Sul tem essa assinatura. Saindo de Porto Alegre tendo como destino Rio Grande, na Metade Sul, o trem ia primeiro para Santa Maria e Cacequi, no centro do estado, para depois fazer uma diagonal rumo a Bagé e só então aproar Pelotas e Rio Grande.

Como é dedutível, já nascemos com vocação de aposto, de não ir direto ao ponto. Como dizia o garçom Dídimo: “Nóis vai, mas nóis vorta”.

A quem não é gaúcho: para piorar tudo, quando as ferrovias começaram a ser traçadas, optaram por trilhos com bitola de 1m em vez do clássico 1m20. Isso impedia a composição ganhar velocidade, mesmo que as locomotivas a vapor ou diesel-elétricas tivessem potência para tal.

A explicação: por temer uma invasão argentina via ferrovia – a Argentina usava 1m20. Os gênios logísticos da época mataram um trem de verdade já no trabalho de parto.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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