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O trem da história

Ao se dar uma simples olhada no que temos em infraestrutura de transportes dá vontade de chorar. Em 1960, para uma população de 71 milhões, o Brasil tinha 30 mil km de ferrovias; hoje tem 38 mil e somos 212 milhões. O detalhe é que, naquele ano, boa parte era de trens de passageiros, que hoje só persistem em São Paulo e Minas Gerais.

Dois anos antes, começaram a sucatear as ferrovias e nem mesmo as temos em boas condições. Pior, apenas 12,6 mil km são asfaltadas. É só pegar a BR-290 e verificar como ela está em estado crítico, ela e outras tantas.

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O Trem Húngaro começou a trafegar em 1974 e muito viajei nele. Fazia o percurso Porto Alegre-Uruguaiana com escalas rápidas. Grandes janelas e o som mágico TRAC-TRAC-TRAC embalavam a viagem.

Vagão restaurante, ar-condicionado, bar a bordo, garçonetes chamadas de ferromoças, um luxo. Mas é para ver como o Brasil complica as coisas.

Para ir para o Oeste precisa ir para Santa Maria e Cacequi primeiro. Por isso, levava tanto tempo a viagem, quase 12 horas.

O ar que incomodava

Na viagem inaugural uma repórter da Folha da Manhã, jornal da antiga Caldas Júnior, foi designada por mim para ver o que é que o novo trem tinha, saindo de Porto Alegre às 19h e chegando em Uruguaiana às 7h. À noite, fazia o sentido inverso. Antes que ela redigisse a matéria, perguntei como era viajar neste trem.

www.brde.com.br

 – O ar condicionado faz muito barulho.  

Nunca tivéramos ar nos nossos trens. E, quando apareceu, ela se queixou do barulho. Vejam que o ano era 1974, não existiam ainda os modelos silenciosos.

O trens e o útero

Há um programa em canal pago que mostra as ferrovias de passageiros de todo mundo. Uma maravilha.

Viajar de trem na pequena Suíça é uma belíssima experiência. Além de pontuais como os trens ingleses, o cenário que se vê das janelas é de – desculpem o chavão – de tirar o fôlego.

https://www.senar-rs.com.br/

Todo mundo gosta de trem, até porque estão em trilhos e os passageiros estão protegidos Para mim tem um plus: lembram o útero materno.   

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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