O garçom Zezinho, do Restaurante Gambrinus do Mercado Público, é um dos mais antigos garçons de Porto Alegre. Não está na pole position, longe disso. Mas começou cedo e segue na batalha. Iniciou há mais de 45 anos na casa.

Só teve um pequeno contratempo cardiológico ano passado, prontamente corrigido pelo kid nessa área, o doutor Fernando Lucchese. Os intrigantes insinuam que, há anos, o Zezinho tinha colocado não um stent, mas sim uma mola do caminhão Mercedes Benz 1313.
Nos tempos da gloriosa Tia Dulce, dos anos 1960/70 da avenida Independência, Zezinho atendia um público gay VIP. Ficava em uma sala fechada cuja entrada era vedada aos mortais comuns.
Zezinho é um túmulo quanto a nomes e personagens da high society que jantavam ou bebiam naquele recanto sagrado. A maioria era conhecida, por isso, o desejo de permanecer no armário.
O Zezinho, José Carlos Lopes Tavares, nascido e criado em Bagé, para que não pairem dúvidas, não é um sujeito alto, maneira polida de dizer que ele é baixinho. E tem aquela cor típica de fronteiriço puxado para mouro, que se miscigenaram com os espanhóis e deram com os costados na Fronteira.
Certo almoço, um dos clientes perguntou ao falecido garçom Vovô se o Gambrinus tinha sobremesa. Claro que sim, falou ele.
– E qual sobremesa sugeres?
– Petit Gateau – falou Vovô.
– Então traga uma.
Vovô apontou com a ponta do queixo o Zezinho, postado inocentemente na porta do restaurante.
