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O muro da comissão

Os depoimentos de integrantes da CPMI (CPI mista Senado e Câmara) só vêm a lume nas redes sociais, Face em especial. E se ela não vai adiante no que realmente interessa, como saber como e com quem agia o Careca do INSS nos esquemas de descontos indevidos no contracheque dos aposentados e pensionistas se deve aos parlamentares governistas? Mesmo à distância, dá para ver que tem muita lama rolando.

Microfone aberto, verdade por perto

Como já dizia o embaixador Rubens Ricupero quando deixaram o microfone aberto no Jornal Nacional nos anos 1990, o que é bom para o governo e o que é ruim a gente esconde. É uma técnica centenária dos governos, qualquer governo.

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Números que cegam

Visto do alto, o Edifício Brasil mostra números estonteantes. Daqueles que uma pessoa comum não consegue bem mensurar ou visualizar. Mas não é dinheiro sadio, é dinheiro ruim, vindo de golpes.

No passado, quando alguém ganhava um Mega acumulada, os jornais tinham a mania de dividir a bolada para carros populares, tipo dizer que daria para comprar dezenas ou centenas de milhares de Unos ou de outra marca. Era um exercício infantil de proporcionalidade. Isso porque se o cérebro de uma pessoa comum não consegue processar o bolo como um todo, também não processaria a divisão por unidades de carros ou casas populares, outra mania.

www.brde.com.br

Cérebros em curto

Se não conseguimos visualizar loterias acumuladas, imaginem o tamanho do rombo dos diversos escândalos como as fraudes do INSS e, agora, do Banco Master, o rombo de 12 + 8 bilhões de Correios e de outras estatais deficitárias. Ainda, adicione a esse bolo uma cobertura extra, o valor que as bets pagam de prêmios, a menor parte do que lucram: 10 vezes a Mega da Virada por ano, cujo prêmio atingiu um bilhão de reais.

Mas pelo menos não é dinheiro de golpes, e só dinheiro de trouxas, porque a banca sempre ganha, mesmo que de vez em quando alguém ganhe 100 ou 200 mil reais. Este valor o cérebro de uma pessoa comum consegue processar.

O Brasil dos bilhões

Então, a estrutura do Edifício Brasil pode correr sério risco no médio prazo se o montante dos malfeitos continuar crescendo? Primeiro, o volume de dinheiro de malfeitos vai continuar crescendo. Inclusive o da coisa pública, cujo débito sempre será pago pelo contribuinte.

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Você aí que gostaria apenas de ter 100 ou 200 mil para começar bem o ano. Segundo, as fraudes no sistema público, digamos assim, não só vai continuar como vai crescer em volume.

Até quando o contribuinte vai aceitar essa carga nefasta? Em sendo Brasil, provavelmente até sempre.  O boi suporta a canga cada vez mais pesada porque à noite o carroceiro a tira e lhe dá umas horas de sono.

Me dá um digestivo aí?

Se é para somar o dinheiro ruim, só os Correios deram prejuízo de 14 bilhões. Estima-se que as aplicações feitas no Banco Master atinjam 12 bilhões, faltando saber quanto desse total será pago com ativos do banco.

Vocês eu não sei, mas estou tendo uma indigestão de dinheiro que nunca consegui digerir. Tô com uma azia desgraçada.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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