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O manifesto

Nada menos de 26 entidades empresariais e de classe, entre elas a OAB-RS e a Caixa dos Advogados do RS,  lançaram manifesto pela prorrogação de um ano da entrada em vigor da Reforma Tributária que deveria começar em janeiro próximo. O clamor é geral. 

Este mundo é um pandeiro

Nos anos 1960, o cinema brasileiro se dividiu entre duas correntes. A continuação das chanchadas da Atlântida das décadas de 1940 e 1950 e os filmes-cabeça inspirados na esquerda galopante, cuja estética se baseava na pobreza.

Eram filmes inspirados na nouvelle vague francesa, maioria sem pé nem cabeça. Mas louvados pela crítica engajada. Obviamente foram um fracasso de público.

Alegria pela alegria

Já as chanchadas eram comédias vivas, baseadas em muitos números musicais recheados por piadas de duplo sentido para burlar a censura. Mas o público gostava.

Tudo girava em torno do Rio de Janeiro, usos e costumes. No início dos anos 1960, surgiu uma novidade, a comédia urbana.

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O cineasta Domingos de Oliveira fez Todas Mulheres do Mundo, com a atriz Leila Diniz. Sucesso absoluto, mas como ele não era de esquerda, foi boicotado pelo cinema nacional.

Levou mais de 20 anos para o carnavalesco Joãozinho Trinta sentenciar que o povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual. Na mosca.

A miséria como poder 

Esse introito é para mostrar como a política brasileira se vale da miséria para ganhar poder. A fórmula é simples, encham o povo de migalhas permanentes e deem o peixe sem ensinar a pescar.

A caudalosa classe média de décadas passadas virou um riachinho desmilinguido. O que ela perdeu de poder de compra nos últimos anos é um acinte.

O que os impostos diretos e indiretos não levam, um crescimento pobre do PIB espreme. Já o andar de baixo não paga imposto de renda, ganha três ou quatro benefícios sociais e, se preciso, trabalha sem carteira assinada. E não se qualifica porque como está, tá bom.

Mas tá bom mesmo é para carreiras de Estado dos três poderes. É um mundo à parte, um Olimpo que está por cima da carne seca. O mérito do banqueiro Daniel Vorcaro foi mostrar que estes semideuses são insaciáveis e sepultam a vergonha com camadas e mais camadas do vil metal. 

O cálculo do Imperatore

Nos anos 1980, o bar-restaurante mais caro era o Imperatore, na avenida Getúlio Vargas. Fiz o cálculo da relação entre o prato mais caro com a sobremesa mais cara e o vinho nacional mais caro. Dava 20% do salário mínimo, 10% a mais que no início da década anterior.

Refiz o cálculo com preços de hoje em um restaurante bom, mas não o mais caro. Deu um terço do salário mínimo.

O rabo do cavalo 

O gaúcho o chama de “cola”. Pois o Brasil cresce como cola de cavalo, para baixo. Um PIB previsto de 20% para 2026 e a maioria do povo acha isso divino e maravilhoso. Já fomos mais exigentes. 

Lá vem eles de novo

O Governo federal avalia tributar investimentos que financiam produtores rurais criando um imposto sobre a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). A medida deve aumentar o custo do crédito rural. 

Endividamento das famílias

Sai a mais nova Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, referentes a setembro de 2026. O levantamento indicou que 87,2% das famílias estavam endividadas, percentual que permaneceu estável em relação a agosto de 2026 (87,2%) e acima do observado em setembro de 2025 (84,1%).

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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