No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, era costume alunos de colégios do interior serem designados para fazer a guarda do Fogo Simbólico na semana que anterior a do Sete de Setembro. A Chama Votiva da Pátria permanecia acesa geralmente na praça da cidade. Era motivo de orgulho ser designado para fazer a guarda do Fogo Simbólico, trazido de Barbacena por maratonistas em revezamento. Fui escalado para uma madrugada.
Fazia um frio danado e lá estava eu e meus 12 anos, trajando o uniforme de gala do Ginásio São João Batista, de Montenegro. A instrução era pedir às pessoas que respeitassem o quadrado onde estava a Pira da Pátria.
Frio, escuridão e neblina. De repente, vejo um vulto vindo na minha direção. Era o Cabeleira, um tipo folclórico da cidade. Quando chegou no quadrado, ergui o bastão com uma bandeirola do ginásio na ponta.
– Alto lá – berrei. – Não pode passar aqui!
Eu só via a enorme cabeleira do Cabeleira.
– Por que não? O que fazes aqui, gurizinho de merda?
– Porque não pode! E eu estou guardando o Fogo Simbólico!
– Ah é? Quem vai querer roubar um foguinho?
La se foi meu orgulho patriótico.
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