Dia 21 de abril de 1985. Eu fazia o Informe Especial do jornal Zero Hora. Tancredo Neves, eleito indiretamente agonizava. Havia uma semana fora editada uma edição extra com vida e obra do mineiro. Incluía depoimentos pré-tomados de lideranças políticas e autoridades em geral. Sabia-se que a morte era certa, então só faltava a manchete e o editorial.
Era a coisa mais fácil de fazer, podia ser redigido previamente. Só que o editorialista, o grande Pilla Vares, ainda não o havia escrito.
– Na pressa, só falta tu abrir o editorial com “quis o destino”. Te mexe, vai – falei.
– Nāo amola, eu sei ser criativo.
No final da tarde fui no Tirol de carona no Dodge Polara do jornalista Melchíades Stricher, com o rádio ligado. Mal estacionamos, veio a voz grave do porta-voz, depois governador, Antonio Britto anunciando o que já se esperava. Tancredo mal assumiu e morreu de pólipos intestinais. Voltamos. Foi aquela correria na redação.
O editorial da edição extra começava assim:
– Quis o destino…
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