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O começo de tudo

Meu big bang aconteceu em algum dia de agosto de 1968, quando o jornalista Ademar Vargas de Feitas me abordou, na saída do Centro Acadêmico Franklin Delano Roosevelt, da Faculdade de Filosofia da UFRGS, que – na época – englobava a Faculdade de Jornalismo. 

       – Tem uma vaga para repórter da madrugada na Zero Hora. É barra pesada, reportagem policial. Topas?

   O Ademar era copydesk, função que desapareceu no jornalismo atual, o cara que reescreve as matérias para corrigir erros e padronizar os textos. Até hoje não sei se o agradeço ou não pela indicação.

O fato é que aceitei e eis-me aqui, 58 anos depois, firme como palanque em banhado. Fiquei ano e meio na função.

E, se vale a opinião de editores e colegas, fui um bom repórter. Depois passei por outros jornais e outras editorias.

   Ademar tinha razão. As madrugadas da Porto Alefre daqueles anos eram barra pesada. É uma cidade sem lei e sem alma, pensamento recorrente naqueles dias.

Mal sabia eu que, perto de hoje, a capital gaúcha tinha lei e, sobretudo, alma. A alma perdeu-se no labirinto de cimento da selva de pedra.

Eu fui feliz em uma cidade com menos de apenas 40 mil automóveis, com dias e noites pulsantes. Cidade que queria ser gente grande, mas ainda tinha jeito de vila.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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