Assaltos a bares, nos bons anos, eram incomuns. No entanto, houve um surto deles por um breve período dos anos 1960/1970.
E até em Florianópolis foram registradas ocorrências, como no bar-chope Meu Cantinho, que trazia uma placa em alemão MEIN ECK.
Foi certa noite em que eu estava lá no bar do seu Roberto. Aqui uma questão prosaica: por que tinha tanto dono de bar chamado Roberto e garçom chamado Luís?
Bueno, ao fato. Ia calma a noite, quando entrou um sujeito tendo nas mãos um canhão portátil anunciando assalto. Seu Roberto mal ergueu os olhos, crente que era brincadeira.
Neste momento, o assaltante deu um tiro ao alto, despedaçando parte dele. O dono do bar, Seu Roberto ficou coberto de reboco de gesso. Arregalou os olhos e falou com aquele jeito cantado dos ilhéus.
– Mas não é que é assalto mesmo?
Em Porto Alegre, o tal surto aconteceu por volta de 1967. Um bocado de assaltantes do primeiro time estava nas ruas, nomes temíveis como Orelha de Burro I, Orelha de Burro II, Mina Velha, Julinho entre outros, que escaparam em bloco do famoso Porão da 8a. DP.
Um deles foi perpetrado no Escandinávia, na Coronel Bordini. Um frequentador, um Delegado de Polícia do segundo time, saiu um pouco antes do assalto.
Aliás, havia outro delegado que só trabalhava na retaguarda, sempre em postos burocráticos, nunca deu um tiro. Dele dizia-se que a única prisão que fez foi prisão de ventre.
Voltanto à vaca fria. Temeroso que não tivesse tanta sorte, de outra vez, o delegado passou a andar dia e noite com uma bíblia.
O que faz um cagaço, pensamos nós, a ponto de transformar um agnóstico em cristão fervoroso até em mesa de bar. Não era volume grande, pouco maior que edição de bolso.
Não deixava de ser engraçado, bíblia numa mão, copo de chope na outra. Só que não era por religiosidade que o delegado carregava o livro sagrado.
Na cavidade do miolo das páginas da Bíblia cuidadosamente recortadas repousava uma pequena e mortal automática belga Browning. O santo era outro.