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O camelo e o dromedário

Vinha o camelo troteando quando, em sentido contrário, aproximou-se um dromedário. Quando emparelharam, este virou a cabeça.

– Por que eu só tenho uma corcova?

Com aquela mastigação típica de quem parece estar mascando chicletes, o camelo examinou o seu primo.

– Eu era como você. Fiz um implante de corcova com um cirurgião plástico e agora tenho duas – enquanto falava, traçou com os cascos o e-mail do médico.

Um mês depois, o dromedário fez a mesma cirurgia. Quando tiraram as bandagens, ele se olhou no espelho e não gostou do que viu: tinha três corcovas. Foi de pata em riste para cima do cirurgião.

– Eu queria ficar igual ao camelo e você me transformou em uma aberração. Não sou nem um nem outro. Por que fez uma maldade dessas comigo?

– Maldade coisa nenhuma. Olhe o lado positivo. O camelo só leva um passageiro e você pode levar dois. Digamos que você seja uma versão estendida ou ER, como se diz para carros e aviões.

O dromedário gostou da explicação. Foi direto para o cartório e para uma gráfica. No primeiro, alterou seu nome para Dromelo; na segunda, encomendou cartões de visita com seu novo perfil.

Moral da história: Como já dizia Nietzsche, a fé não move montanhas. Na verdade, coloca montanhas onde não há nenhuma.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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