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O bigodinho do Hitler

Se me perguntassem qual a história real que ilustra melhor a loucura desse tempo em que vivemos, eu diria que é a entrevista da atriz global Nanda Costa. Ela foi capa da Playboy há cerca de 10 anos.

A arroz posou nua sem muita preparação. Ou seja, com quase todos os pelos pubianos, ficando só o risquinho que liga com o outro risquinho.

Ocorre que uma das polêmicas, tanto na época como hoje, é a depilação total íntima de homens e mulheres, então a floresta virgem – mas o que eu estou dizendo? Esqueçam o virgem – deu pano pra manga nas redes sociais.

Como o ensaio foi feito em Cuba, que ainda mantém a tradição de ilha dos barbudos revolucionários, a atriz justificou a manutenção dos pelos pubianos com uma frase que reputo como uma das mais divertidas que já li na minha vida.

– Não iria fazer bigodinho de Hitler na terra de Fidel.

Não menos divertida foi a opinião do filósofo carioca Paulo Ghiraldelli, sobre a frase da moça da capa, animado com o debate na web.

– A declaração de Nanda é ótima, pois coloca a política ideológica no lugar dela: nas partes pudendas. Em que outro lugar poderíamos colocar  a direita e a esquerda?

Nós gaúchos ideologizamos tudo, eucalipto é de direita, maricá é de esquerda, mocotó é de direita, sanduba natureba é de esquerda. E assim por diante. Mas, nem nos mais loucos devaneios, nós pensamos em ideologizar os pentelhos.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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