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O adeus de Flávio

A reeleição de Lula mostra que a esquerda está vivíssima no Brasil e que o lado conservador não soube escolher um bom candidato. Flávio chegou perto da votação de Lula, mas carregava um lastro pesado, o sobrenome demonizado pelos petistas, que são muito bons nisso.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Aplicam ideologia em tudo – fusca é de esquerda, Mercedes é de direita. A verdade é que Flavio chegou onde chegou carregado nos ombros do antipetismo. O resto é choradeira, chuva, abstenções, Minas, a gurizada, se isso, se aquilo. 

Como atravessar o rio sem nadar

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. É improvável que Lula tome as medidas duras e impopulares que o Brasil tanto precisa para evitar afundar no pântano fiscal.

Além dos 400 bilhões dos pacotes de bondades eleitoreiras, ainda vem a sangria fiscal das promessas de campanha, ônibus grátis e produtos da cesta básica com zero imposto. 

O lombo do jegue

A inflação já vinha botando as manguinhas de fora, e o custo de vida late no calcanhar da classe média. Que nunca teve poder aquisitivo tão reduzido como agora. Olhem lojas e shoppings depois do dia 13, quando o resto do dinheirinho alça voo e aterrissa na Terra do Nunca.

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Com essas renúncias fiscais e incompetência administrativa, resta aumentar impostos, o que certamente farão. A classe de baixo tem os bolsa-família da vida e zero imposto de renda.

Pior, criaram uma cultura que pode ser resumida em “tá bom assim, por que trabalhar? Pernas pro ar que ninguém é de ferro”. Por isso o desemprego estã tão baixo.

A fuga das galinhas 

O capital é covarde. Ele foge onde não é bem recebido. Ontem o dólar subiu mais de 10% e a bolsa caia 16% já na abertura.

É o que podemos esperar no quarto mandato de Lula, o novo Padim Ciço do Nordeste. O que virá é o capital especulativo.

A esquerda brasileira vai ter que fazer muita força para mostrar que não rejeita dinheiro de fora. E isso ela não sabe e nem quer fazer.

Ao contrário, nos protestos de rua, mostrou apego a um esquerdismo ultrapassado dos anos 1950, inclusive queimando bandeiras dos Estados Unidos no melhor estilo “yankes go home”. Nem no Afeganistão se faz mais isso. 

Miss 2030

Desde já o campo conservador escolheu o Homem de Visão dos próximos anos, o governador paulista Tarcisio de Freitas. Mas já?

Primeiro ele tem que vencer a maldição do segundo mandato, que costuma ser pior que o primeiro. Já os crentes do Padim Ciço sabem que precisam de um beato jovem e bom de voto.

Mas onde achar um? Haddad? Não me façam rir. De certa forma, o pepino da esquerda e tão ou mais difícil de descascar quanto o do lado oposto.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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