Não é exagero dizer que estamos prestes a assistir a uma morte súbita das empresas do Simples Nacional. Não por causa de uma mudança legal explícita. Mas por um movimento de mercado que já começou a exigir dessas empresas um nível de maturidade tributária, financeira e operacional que a maioria delas ainda não possui.

Hoje, 74% dos negócios ativos no país estão no Simples. E a maioria mal sabe o que significa split payment, segregação de receita ou geração de crédito fiscal.
Essas empresas são, em sua maioria, jovens. Cerca de 40% delas têm até dois anos, e 60% estão na categoria MEI. Elas nasceram de um impulso empreendedor. Muitas vezes, por necessidade, e se formalizaram em busca de oportunidades.

Mas agora, com a nova lógica fiscal que se desenha, elas estão diante de um sistema que exige muito mais do que boa vontade e coragem. Elas precisarão entender de negócios, de cálculo, de cadeia de suprimentos e de compliance. E essa mudança não será gradual, será brusca.

(Carlos Alberto Pinto, diretor do IBPT)