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Falta de comunicação

Tragédia mesmo eu vivi há anos, quando pedi um táxi para me deslocar até a Bandeirantes, quando trabalhava lá como comentarista do Jornal Gente. Entro no carro e o motora pergunta:

      – Pra onde vamo?

O sotaque era de alguma região que podia ser a Serra. Falei Bandeirantes, cujo endereço até as antas conhecem. E ele, com a mão direita na orelha:

      – Hein?

Surdo. Meu dia de sorte pelos passarinhos que nunca matei.

      – Me ensina o caminho.

 Credo. Pega a Oswaldo Aranha, eu disse, que ficava a duas quadras dali.

      – Hein?

Hein Lieber Gott. Ensinei. Duas vezes, porque da primeira ele não entendeu. Pega a Ramiro Barcelos logo adiante. Ó que dia maravilhoso!

      -Hein?

Ensinei. Duas vezes por causa da surdez. Atravessa a Ipiranga e vai até o fim da São Luiz.

       – Hein?

Botei o volume no máximo e repeti a ordem. Ele não sabia. Pior, parava nas esquinas mesmo estando na preferencial.

Em chegando na rua São Luís, pedi que ele seguisse até o fim, que termina na Luiz de Camões, dobrasse à direita e subisse a lomba. Ele parou no sinal verde da esquina com a Bento Gonçalves.

       – Para onde vamo?

Em resumo, depois de vinte “hein?” e uns dez “pra onde vamo?” chegamos na frente do enorme prédio da Band, na Delfino Riet, hoje demolida. E ali não tinha erro.

    Não é que o cara ainda me passa do portão de entrada?  

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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