Um dos melhores filme que vi na minha vida foi Armarcord (1973), de Frederico Felini. O título é uma referência à tradução fonética da expressão a m’arcord (eu me lembro).
Pois todos nós nos lembramos da nossa infância, uns mais, outros menos. Na razão direta de termos vivido tempos felizes e na razão inversa se foram infelizes.
Pois eu tenho um Everest de recordações, desde os três anos e pouco, quando vi o fogo de um churrasco refletido nos óculos de um amigo do meu pai. Fiquei deslumbrado com o reflexo.
Desde então venho acumulando imagens, sons e sabores daqueles tempos. Até se dia chuvoso ou ventoso a m’arcord. Assim, lembro que enguli a pasta de dentes na minha primeira escovada. Era um tubo amarelo e a marca, Kolynos. O gosto não era de todo ruim, mas decidi que não iria repetir a dose.
