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Dezembro, um mês cansativo

Não existe período tão complicado e estressante quanto a proximidade das festas de Natal e Ano-Novo. No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, tudo ia mais devagar.

Havia uma espécie de controle rígido da atividade humana, leis não escritas, que eram obedecidas sem pestanejar. O calendário de dezembro, mês mais esperado pelos estudantes, começava pela alegria do início das férias que costumavam ser dia 8 de dezembro, o da formatura no ensino médio.

A ditadura infantil

Os pais começavam a planejar o Natal assim que tivessem um plano de voo para as férias, tanto dinheiro para presentes e para a praia, se fosse o caso. Não havia correria de Natal, porque não havia tanta obrigação assim de dar presentes obrigatórios para os filhos e uns aos outros, pai e mãe.

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Também não tinha a pressão dos filhos que observamos hoje e muito menos a enorme variedade de desejos de consumo eletrônico. Hoje crianças não pedem. ORDENAM.

Claro que é um padrão mais ou menos comum. Mas certamente essa “obrigação” de dar o celular mais novo ou outra coisa sem exigir contrapartida na escola, por exemplo, tornou crianças em adultos nem sempre bons exemplos para os rebentos.  

O mês da estiagem

De dinheiro. Não lembro de um dezembro de tão pouco dinheiro nos últimos anos, diria até décadas. Você mesmo sente essa secura, vê lojas vazias ou pessoas se queixando de como tudo está caro.

www.brde.com.br

O comércio salga os preços porque não há escala, o ganhar menos porque vende muito. Cobram mais para compensar a secura de clientes.

Os muito ricos

Nunca esqueça o conselho dos muito ricos: nunca gaste seu próprio dinheiro. No caso dos estrangeiros, eles estudam as taxas de juros dos bancos e depois aplicam na renda fixa do Brasil. É por isso que aqui entra tanto dinheiro e depois sai tanto dinheiro.

https://www.senar-rs.com.br/

A fogueira das vaidades

Gaúcho gosta tanto de premiações, medalhas e títulos que, se um dia inventarem uma medalha com tampinha de refrigerante, ele se candidata. Mais uma vez, neste final de ano, essa verdade se repete.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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