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Da série “perguntar não ofende”

A Câmara dos Deputados abriu  licitação para comprar 216 fogões, geladeiras e máquinas de lavar. Seria para lavar dinheiro? Não, claro que não, mas não deixa de ser curiosa essa compra.

Gabinetes terem frigobar se entende, até porque um que outro parlamentar tem bala para guardar aquele uísque dos muito ricos, o Macallan 25. Tem uma versão de pobre, pouco mais de mil reais, mas esse daí e para poucos. 

Ocorreu-me que também não existe máquina de lavar reputações. Se existisse, trabalharia 24 horas por dia  e faltaria máquina.

A moda do uísque

O nobre produto escocês esteve nuito na moda nos anos 1970, no Brasil, quando se bebia uísque até no almoço. Porto Alegre teve uma uisqueria famosa, o George’s, na rua Cristóvão Colombo, quase esquina Alberto Bins.

Na época, um dos mais caros era o Roysl Salute, vendido em uma caixa de garrafa envolta em veludo. Uma dose custava um terço do salário mínimo na época.

As falsificações

Nas boates em que mulheres profissionais, semi-profissionais e livre-atiradoras frequentavam, uísque era atividade de grande risco. Maioria era falsificada até a alma.

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Chegou a tal ponto que a revista Veja fez matéria sobre as alegres noites em São Paulo e que se bebia e comia. Nos bebês, era grande o consumo do uísque Monk’s vendida em botija de barro. Para espanto dos repórteres, a destilaria não vendia a bebida com esta embalagem. 

O irlandês católico

Certa feita, vi um empresário do Vale dos Sinos abrir uma garrafa do uísque VAT 69. Perguntei se ele sabia porque tinha esse nome. Não, falou.

Então expliquei que, na época da fundação, o dono da destilaria queria homenagear a Igreja Católica dando o nome do código telefônico internacional do Vaticano, que consistia em três letras e três números. VAT 069. Caiu fora o 0 e ficou o 69. Interessante, disse o empresário.

Interessante digo eu, respondi. Porque sei a história, mas nao tenho grana para comprar esse uísque católico.

O alemão frio

Mais ou menos por esta época, virou moda beber vinho alemão. Um dos mais vendidos era o Liebfraumilch, que nem marca registrada era, tratava-se de vinho de qualidade inferior.

O vinho alemão do Reno e do Nosela se divide em vinho de mesa, de qualidade. E qualidade com predicado.

Não demorou, e os contrabandistas passaram a oferecer um vinho alemão de garrafa azul – que nunca existiu. Vinha com rótulo e tudo do Marrocos. Ou seja, temos vocação para ser otários.

O jacaré gaúcho

Naquelesa tempos, encontrei um amigo empresário que tinha sumido de Porto Alegre. Logo ele, que era tão festeiro.

Explicou que tinha uma indústria têxtil no interior do estado, atividade que o prendia dia e noite naquela localidade. Que legal, falei. Vou publicar uma nota no jornal. Teus amigos gostarão de saber do teu paradeiro.

Pelo amor de Deus, não publica nada, respondeu com aflição. Perguntei por que não, qual produto fabricava para impedir divulgação. Ele falou e então entendi.

Era o jacarezinho da Lacoste.

Preocupação da indústria 

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), Claudio Bier, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano reflete a preocupação do Banco Central com a deterioração das expectativas de inflação e o aumento das incertezas econômicas, especialmente após a recente volatilidade cambial. Mas é prejudicial ao setor produtivo.

“A decisão traz insegurança, uma vez que os juros permanecem em patamar muito elevado, encarecendo o crédito, agravando o endividamento das empresas e das famílias e restringindo os investimentos.”

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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