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Culpa da gasolina

Se é para aumentar preços, a malandragem brasileira dá de relho. Especialmente na área de serviços. Qualquer coisa é desculpa para dar uma facada. Um dos casos que guardo vivo na memória aconteceu no início dos anos 2000. O estacionamento do antigo hortomercado da rua Quintino Bocaiúva, próximo ao entroncamento com a Cristóvão Colombo, de repente subiu o preço da hora como se fosse um foguete Atlas. Perguntei ao atendente do guichê qual o motivo da pulada.

– É que subiu a gasolina – disse ele sem muita convicção.

Dei uma risada.

– Mas o que é isso, cara! O que tem a ver alta da gasolina com preço de estacionamento? Justo um lugar onde não se gasta combustível!

Ele ficou meio aparvalhado buscando uma saída não traumática. Coçou a cabeça com a caneta Bic. De repente, descobriu a saída, obviamente ensinada.

– O que o senhor sabe dos nossos custos?

Como é que vou discutir com um papagaio ensinado? Mas resolvi botar graveto no ouvido dele.

– Bem, isso lá é verdade. Mas vou te dar um conselho. Tens direito a um aumento na mesma proporção. Ele te aumentou?

– Nnnnão…

– Pois então tá errado. É lei. Lei 3.300 parágrafo dois da ceeletê. Vai lá e esfrega na cara dele.

Não sei no que deu. Vai ver, e o patrão ficou impressionado com a lei 3.300 e aumentou o salário do funcionário.

Ou não.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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