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Coitado do boi

Se existe um animal que nasceu para sofrer é o boi. Desde tempos milenares ele é pau para toda obra, inclusive como churrasco. Trabalha feito um cão – desculpa, como um boi – arrastou arados desde que o homem aprendeu a plantar, puxou e ainda puxa carroças e toda essa agonia para acabar no prato de pessoas que não dão a mínima para seu triste destino. Pior, ainda classificam parte do seu corpo como “de segunda”.

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Quando é touro, é outro papo, mas nem tanto. Suas guampas são sinônimo de marido traído, serram-nas para fazer berrante ou reservatório de cachaça. Para culminar, associam-no com o rato, quando dizem “mais apertado que rato em guampa”. O que o coitado do boi fez para merecer esse castigo?

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Mas tem coisa pior. Dizem os exterminadores de churrasco que ele é responsável pelo efeito estufa. Nem mesmo definem corretamente. Essa gente malvada diz que é culpa dele, por ruminar.  Não é vaca, que também rumina e, nas horas vagas, solta pum. E só dele que falam. O pior, amigos do boi, é que isso é falso.

vaca leiteira foto Wenderson Araujo da CNA

Boi emite metano, efeito estufa e coisa e tal. Devagar nas pedras, não é bem assim. Esse metano biogênico lançado à atmosfera pelo animal é quebrado após 10 ou 12 anos em CO2 e água. Então, como já disse Lavoisier, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. A água volta para o seu ciclo, mas e o CO2? Ele é sequestrado pelas pastagens para que elas possam fazer a fotossíntese.

Entenderam a maldade? Esses defensores de comida vegetal não soltam pum por acaso? E ao pum deles e dos mais de 7 bilhões de humanos deixam todo santo dia 600 gramas de cocô em média. Desconfio que, no Rio Grande do Sul, seja o dobro. E é cocô cheio de Mcdonalds. Aí o que é? Adubo, como cocô de boi? Não, polui a água que futuramente beberemos depois de tratada.

Foto: Wanderson Araujo/CNA
Fotos: Wenderson Araujo/CNA

O pior é que lendas mal intencionadas como essa são regurgitadas por gente da comunicação que não sabem nem a diferença entre boi, touro e vaca. Aí ficam cagando regra ecológica. Nem mesmo sabem que a Amazônia ou qualquer outra floresta ou planta larga oxigênio de dia e gás carbônico de noite, essa coisa que chamamos de fotossíntese.

Não bastasse tudo isso, ainda culpam-no pela inflação. Pobre boi e família.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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