Search
Search

Bebendo estrelas -I

   O famoso vinho espumante do mundo foi tombado como patrimônio histórico e cultural da humanidade. A decisão ocorreu durante um encontro do órgão em Bonn, na Alemanha, que classificou as encostas, caves e lojas da Champagne como Patrimônio Universal.

   No passado, os monges, Dom Pérignon e Ruinart se esforçaram muito para domar os vinhos que fermentavam novamente nas garrafas, fazendo-as explodir. A palavra “champagne” também é protegida com grande vigilância, e apenas pode ser utilizada nos vinhos originais da região. Qualquer vinho semelhante, mesmo produzido pelo método “champanhês” noutros locais ou países só pode chamar-se de “espumante” e nunca de “champanhe”.

   Por isso a comuna de Champagne, com 660 habitantes, situada no cantão de Vaud, na Suíça, teve que renunciar a mencionar o nome de Champagne nos vinhos (não espumantes) produzidos em seu território – de somente 28 hectares. Saint-Laurent teve que interromper o lançamento de um perfume que tinha chamado de Champagne. O nome do perfume foi finalmente modificado, sendo comercializado sob o nome de Yvresse.

   O Champanhe é originário da região de Champagne, que fica a 150 quilômetros de Paris. A sua descoberta é atribuída ao monge, cujo nome é hoje uma marca desse tipo de vinho. Ele era o responsável pelas adegas da Abadia naquela região francesa e ficou curioso com a afirmação dos vinicultores de que certos tipos de vinhos fermentavam novamente depois de engarrafados. Acontecia que, nesse processo, os gases estouravam as rolhas ou arrebentavam a garrafa.

   Dom Pérignon então experimentou garrafas mais fortes e rolhas amarradas com arame… e assim surgiu um vinho espumante e delicioso que depois seria batizado de Champagne. Ao bebê-lo pela primeira vez, o monge exclamou: “Estou bebendo estrelas”.

   Foi então que a célebre viúva Clicquot (Viuve Clicquot), que também virou marca, inventou os processos de remuage (girar as garrafas) e dégorgement (degolar). No primeiro os funcionários de adega inclinam e giram as garrafas, fazendo com que os resíduos fiquem acumulados no gargalo. Aí então entra o dégorgement, que retira todas as impurezas, fazendo que o vinho fique límpido e transparente… bem como você gosta.

* O texto original é de “A Relíquia”, um jornal de Antiquários do Rio de Janeiro. (Fiquei surpreso com quem exclamou a frase. Sempre li que foi da viúva, mas o tio google afirma que foi do monge. Seja quem for, parabéns! É a melhor definição para Champagne ou qualquer espumante).

Segue
se você quiser….

 

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

Deixe sua opinião

Publicidade

Publicidade

espaço livre