Nos anos 1970, um bageense foi instado a dizer quais as três piores coisas do mundo. Conhecido por ter língua sem reduzida, disse que eram conversa de castelhano, pum de cachorro e cocô de galinha entre os dedos dos pés.
Quem já caminhou descalço em galinheiro sabe bem do que ele estava falando. Pum de cão, bem, até os urbanos sabem dessa arma química. Quanto aos castelhanos, Bagé limita com o Uruguai.

Lembrei dessa história quando pisei em cocô humano depositado gentilmente em uma calçada de prédio na qual sem-tetos se abrigavam. Como há ausência de banheiros públicos, dá para entender.
Faça o teste, caminhe olhando para o chão em ruas movimentadas. Manchas amarelo ou marrom se sucedem, sinal que os zeladores dos prédios dirigiram ao remanescentes dejetos.

Se o atento leitor olhar as calçadas defronte a bares e danceterias, com grande presença de jovens, verá inúmeras pequenas manchas pretas, que se derivam de chicletes mascados e cuspidos. Não há como ter calçadas limpas na cidade. Sem falar que boa parte é um convite à torção de tornozelos ou ligamentos rompidos.
Existem pessoas que sempre enxergam o lado positivo dos contratemps, a turma do copo cheio. Para eles, temos que dar graças a Deus por não termos galinhas nas calçadas.
Eu acrescentaria mais um detalhe: ainda bem que inventaram os sapatos.
Momento pudim
Eu me amarro em um pudim, e um dos melhores da cidade é servido na Cafeteria A Brasileira, na rua Uruguai, da dona Ana Paula. E feito de dois “osos”, cremoso e gostoso.