Era uma tarde límpida de 1970, 3 de maio, cerca de 16h ou 17, quando fui dar uma olhada pela janela da minha sala na Inter Propaganda, num andar alto do edifício Sulacap, centro de Porto Alegre. O diretor era Raul Leopoldo de Castro Brunini, e eu um contato, que pegava a agência numa ponta e a mídia de outro e, como fio elétrico, amarrava as pontas.
O arte-finalista era o hoje sócio da agência Escala, e o layoutman, o falecido pintor Soriano, que ganhou fama e até pintou o retrato da minha mulher Maria da Graça. Quando vi a enorme coluna de fumaça achei que era acidente de avião, porque parecia que vinha na altura da reta final do Aeroporto Salgado Filho.
Não era. A fábrica de fogos de artifício Fulgor, na rua José Inácio, 4o Distrito, havia explodido. Se bem me lembro firam quatro mortos e paredes rachadas em um raio de 80 ou 90 metros quadrados. Uma das casas atingidas foi a Boate Dominó (cabaré), que funciona até hoje, 52 anos depois. Era chamado de Cabaré da Bandinha, mas essa já é outra história.
