Certamente que foi mágica, pois lembro dela nos mínimos detalhes. Está para sempre na memória visual. Era uma noite de verão, em algum ano do início dos anos 1950, na casa do meu tio Sireno Selbach, em São Vendelino. Ele era escrivão do então subdistrito de Montenegro.

Aconteceu no pátio, um espaço lúdico onde brincávamos. Estavam lá primas de Porto Alegre, casa cheia, muitos risos e muita alegria. Meus primos e eu jogávamos bolinhas de gude.
Lembro perfeitamente que estava muito feliz com primos e primas rindo e brincando. Na frente do pátio, um grande cinamomo, que abreviamos para cinamão. O cenário era perfeito e inesquecível.
De repente, o pátio se encheu de vagalumes e pirilampos, os primeiros com fosforescência fixa e os segundos apagando e acendendo. Por si só já era uma maravilha da natureza, imagino dezenas ou centenas delas.
Nos entreolhamos boquiabertos com essa súbita invasão de luzes. Corríamos atrás deles neste espaço limitado, mais para externar o contentamento do que propriamente desejando capturá-los. Não sei quanto tempo durou, mas me pareceu uma eternidade na época.
Todos fomos dormir felizes.