Nunca mais teremos uma galinha Pasionaria, uma comunista espanhola que virou ícone na esquerda brasileira. Em espanhol era com um “s”, na versão português era com dois. Minúcias. Pois a Passionária bebia cerveja a metro, e não é força de expressão. Foi nos anos 1960.
O causo se deu quando uma roda da qual fazia parte o jornalista Cói Lopes de Almeida e um cara apelidado de Moicano. Eles frequentavam o bar-chope Urbano’s, no bairro Auxiliadora. A galinha era de estimação, saía do pequeno quintal do estabelecimento.
Certo dia, alguém pegou-a no colo e botou um copo com cerveja na frente dela. Ela bicou, foi bebendo, bebendo e, alguns meses depois, era atração e notícia de jornal. Para que pudesse ser admirada pelos fregueses, colocavam-na em cima da mesa e derramavam a ceva na madeira. Daí sua reputação que ela bebia pra mais de metro.
Obviamente, ela evoluiu para o alcoolismo. Sem o precioso líquido, a Passionária se portava de forma estranha. Delirium tremens, suponho. Pelo que o Cói me falou, ela morreu de cirrose. Já nem comia mais, a coitadinha. Um galináceo dependente químico, vê se pode.
É para ver como o alcoolismo é democrático. Pega pobres, ricos, idosos, jovens, homens, mulheres. E até galinhas.
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