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A força da carne

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal falou que o tempo do alimento barato chegou ao fim. Não precisa explicar, eu entendo. Os preços sobem mais do que os mísseis que a China lançou nos céus de Taiwan e só agora tendem a estabilizar.

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Mas a carne, ai a carne, a carne é forte. Foi-se o tempo em que se dizia que a carne era fraca, alerta da igreja para os perigos da carne humana, sexualmente falando.

Filé com camisinha

Sempre tive a impressão que eles enchiam nossos ouvidos de gravetos porque tiveram essa má (?) experiência. Sabem como é, gato escaldado tem medo de água.

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Se, para mim, era uma tentação maravilhosa, os padres e irmãos maristas tinham lá seus votos, a castidade entre eles. Durante toda a história, muitas religiões deram esse conselho. Ocorre que a Terra incha cada vez mais de gente, então não foram lá muito obedecidas. Talvez tivessem que ter dito que a carne é fraca, mas use camisinha.

Urubu. pau para toda obra 

Camisinha não é coisa nova. No tempos dos césares e dos gregos, elas já existiam. Não de látex, mas de pele de cordeiro. Eu recomendaria, se vivo fosse na época, membrana do estômago de urubu. Esses carinhas comem até prego enferrujado que nada lhes acontece e nem fura a forração.

Em uma camisinha, daria para usar um século sem perigo de vazamento, se é que vocês me entendem. Ao contrário de segredos de Justiça, que vazam antes mesmo de serem proibidos. Esse é de fé. A avestruz também come até botão de camisa, mas a membrana que cobre  o estômago dessas aves deve ser grossa.

Camisinha de mostarda

Sejam de látex ou material sintético – o látex vem da borracha, portanto é uma camisinha ecológica, politicamente correta – sempre oferecem o risco de rasgar ou aparecer o furo da bala, o que é um tremendo inconveniente. Para quem prioriza esse fator e não se importa muito com a perda de sensibilidade do garrão humano, sugiro sachês de mostarda e ketchup. 

Como é sabido, eles são mais difíceis de abrir que cofre de banco. É preciso dar muita porrada – sem trocadilho – para rasgar ou furar. Fica aqui a minha sugestão para a Jontex. Mas quero royalties, vou avisando.

No fundo…

…não é que a carne seja cara. Nós é que ganhamos pouco.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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