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A falta que ela faz

Gramado está sem água. A estatal de água e esgoto Corsan não dá conta. Precisa mandar caminhões-pipa para Três Coroas, algumas dezenas de Km mais abaixo, para trazer 1,5 milhão de litros por dia. A região toda, Gramado e Canela, ressente-se de rios com volume de água suficiente. Três Coroas ainda tem o Rio Paranhana, mas também a busca em outras fontes. Literalmente.

Imagem: Freepik

O FUNDO DO POÇO…

O complexo industrial da Cooperativa Piá, em Nova Petrópolis, meio caminho entre as duas cidades referidas, busca água a mais de 1 km de profundidade, no Aquífero Guarani. A Schincariol faz o mesmo, só não dizem a profundidade. O Aquífero sempre iludiu os gaúchos. Como fanfarronice, repete-se que é a maior reserva de água potável do mundo.

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…É POÇO SEM FUNDO

Nem tão potável, nem reserva, nem do mundo. Ele começa na Argentina, passa por Uruguaiana, Alegrete, costeia a Campanha e depois toma tenência no Vale do Paranhana e vai até a Bahia. Em Alegrete, perfurações feitas ao longo de todo o século passado mostraram que boa parte é de água salobra. Sou testemunha. Além disso, na altura do Deserto de São João, no Alegrete, quase aflora. Além disso, o uso para lavouras em toda a região e poços feitos já pelos índios o contaminaram.

COWBOIS SAUDITAS

Puro e intocado mesmo só de Santa Catarina para cima, onde o Aquífero é protegido por camadas de rochas de centenas de metros de espessura. Nem do mundo. Sem falar na Europa, o deserto do Saara esconde um aquífero pelo menos três vezes maior, a 4 mil metros de profundidade. O custo da extração é caro, por isso apenas algumas regiões a buscam. Caso da Arábia Saudita, onde existem fazendas de gado com pasto abundante porque irrigados com essa reserva. Tem até cowboys imitando os americanos.

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DESPAUTÉRIOS OFICIAIS

Algumas expressões oficiais parecem ter sido criadas (e copiadas) para confundir o leitor. Por exemplo, uma de ontem: o Rio Grande do Sul recebeu R$ 217 milhões “da cessão onerosa” do pré-sal. Onerou quem, cara-pálida? Pelo que sei das burras estaduais, numa pindaíba de dar dó em mendigo deitado na calçada, foi um baita de um presente, isso sim.

PENSAMENTO DO DIAS

Nestes tempos bicudos, o vivente tem que se virar mais que minhoca em terra quente.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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