Faltam pilotos no Brasil e em quase todo mundo. E cada vez menos aeroclubes sem fins lucrativos. São 87, metade dos que existiam há 25 anos.

Para se ter uma ideia, eu me brevetei no Aeroclube de Montenegro, em 1963, licença Piloto Privado número 11.156 nesta categoria. Ou seja, existiam na época apenas este total desde que foi obrigatória a expedição da carta. Não fosse o aeroclube, não teria dinheiro para pagar o custo.
A hora de voo era cara, e eu não podia voar mais de 10 horas por mês. Era o que cabia no meu salário de bancário e isso que a gasolina de aviação era subsidiada em parte.
Os aviões eram o Paulistinha, o CAP4, uma pandorga com motor, como se dizia, mas de tão leve e sujeito a qualquer brisa lateral que navegar só com a bússola magnética exigia constantes correções de rota. Tinha que ser muito esperto, posto que não havia rádio, portanto sem ADF (Automatic Direction Finder), que nem de longe chegava perto do Piloto Automático, que faz milagres sem auxílio do piloto.
Com a IA, aviões não precisarão de pilotos, assim como já houve drástica redução de tripulações. Mas diga uma coisa: VOCÊ VOARIA NUM AVIÃO SEM PILOTOS?
Mas como surgiram e se multiplicaram os aeroclubes. Assis Chateaubriand, dono da Globo da época, Diários e Emissoras Associados. Foi homem à frente do seu tempo.
Tirou dinheiro do próprio bolso e importou desmontados centenas de CAP 4 dos EUA, que aqui foram montados pela Neiva, de São Paulo. Esteja onde estiver, meus respeitos, Chatô. O Brasil lhe deve muito.