As primeiras exposições de animais que antecederam a Expointer no Parque de Esteio aconteciam no Cete, um espaço dedicado a atividades físicas na avenida Getúlio Vargas. Perto do que é hoje, eram acanhadas e mirradas, pouca diversão.
Quando os criadores acharam que neste acanhado espaço seria a perpetuação de uma feira um pouco maior que o curral de um pequeno criador. Então, o estado foi às compras. Mas falarei disso pouco adiante.
Fui lá duas ou três vezes. Com 13 ou 14 anos, basicamente, deslumbrei-me com o algodão-doce e churros de MuMu, o doce de leite. Não lembro se tinha churrasco ou restaurante, só sei que, de noite, os criadores e peões faziam rodas de música, botavam costela ou outro corte de carne na trempe, músicas molhadas com cachaça em guampa.
Tirando a canha, era meu conceito de felicidade pura. Era uma roda de samba sem samba.
Quando o governo gaúcho comprou a fazenda dos Kroeff, na beira da BR-116, o bucólico e outrora deu lugar a uma cidade, com bancos, escolas, revendas de veículos e máquinas agrícolas, restaurantes bons, outros nem tanto, produtos da agricultura familiar como linguiça, cucas e pães, os mesmos churrascos na baia dessa cidade, sucursais de jornais, rádio e TV. Em vez das rodas de violão e cordeona e cachaça, as noites da Expointer 2022 ficaram como na foto abaixo.

Botem sentido no prato e digam se é bom ou não é, roda de viola dos anos 1950 com cordeona gemendo dores que só ela sente e com um tempinho para filhotes e sobrinhos, as gaitas de oito baixos tocando música nativista com avozinha dos seus foles dizendo com doçura “eu quero ser grande!”. Já eu queria ser pequeno.
