Este simpático senhor é o jornalista Antônio Goulart. A simpática (e gostosa) torta à sua frente foi comprada por ele na cafeteria da entrada da José Montaury da Galeria Chaves. Já a velinha solitária simboliza os 90 anos de Goulart. Trabalhamos juntos, sempre fomos muito ligados.

O aniversariante é especialista em descobrir erros na mídia, alguns tão incríveis que custamos a acreditar. Um deles foi o caso de uma matéria em jornal de Porto Alegre que fez uma matéria sobre a ditadura dos destros – nada foi feito para os canhotos “inclusive a xícara do cafezinho”, escreveu o repórter que fez a matéria.
Goulart enviou a página da ZH para a revista Imprensa, do jornalista Moacir Japiassu, que colecionava besteiras escritas. Ganhou o primeiro lugar, um gravador em miniatura, muito caro na época.

De minha parte, constatei uma burrada sem tamanho em um jornal do Nordeste, que fez uma enorme matéria sobre o Continente Antártico. A foto que ilustrava era… uma garrafa da cerveja Antárctica.
Na época, pré-computador, o editor da página deve ter pedido ao arquivo fotográfico uma foto do continente, que o arquivista confundiu com a marca da cerveja. Uma sucessão de erros, falta de revisão, falha do secretário gráfico. Enfim, falha coletiva deu nisso.
Gaúcho conversador
Uma mudança, cuja origem ainda está por ser esmiuçada, é como os gaúchos eram disputados por outros estados e hoje não nos querem mais, exceções à parte, na parte superior da pirâmide. O que aconteceu é que, em poucos anos, ficamos displicentes no serviço, pouco empenhados em progredir dentro da mesma empresa e viver com a cabeça nas nuvens.
Tenho a impressão que parte dessa mudança para pior se deve ao celular e uso das redes sociais. Não para aprender mas para jogar conversa fora.
A surpresa do Villalonga
Quando a telefonia móvel chegou no Rio Grande do Sul, os espanhóis da Telefónica, hoje Vivo, se encantaram como a gauchada falava no telefone por tempo superior a outros tagarelas brasileiros. Lembro de uma entrevista coletiva do CEO da matriz espanhola, senhor Juan Villalonga, dizendo da sua surpresa com esse dado, que justificou a privatização da gaúcha CRT como prioridade.
As vendas de celulares explodiram aqui e custou um tempo até que descobriram o motivo. Se a gente parar para pensar, é um negócio fabuloso esse: pagar para conversar e deixar milionários quem não entra no papo.

Acho que um dos sintomas do fracasso das relações interpessoais foi quando um casal de namorados senta na mesa de um bar sem trocar conversa, se comunicam por SMS ou WhatsApp. Mesmo coisa que a preguiça de ir até o quarto a dois ou três metros dali de um familiar, preferindo enviar e receber mensagens.
O clube dos 20
Os primeiros celulares no Rio de Janeiro e Brasília, os pioneiros, eram caríssimos. No Rio, eram poucos os que podiam pagar R$ 20 mil por um, dinheiro da época, imagina hoje quanto seria.
Como dava status, os 20 primeiros trataram de criar o Clube dos 20. Lembro que o Boni da Globo estava entre eles.
O meu primeiro custou R$ 2 mil, comprado na loja da Vivo na avenida Independência. Em valores atuais, seriam 6 ou 7 mil. Mas era ferramenta de trabalho, aqueles tijolões da Motorola.

Depois passei por um LG “flip”, de abrir, e em seguida para o Nokia, de quem fiquei fã. O melhor que os finlandeses criaram foi o pequeno Nokinha, que cabia na palma da mão, por volta de 2002.
Onde andará?
Por esta época, quando veio a Internet, se criou um paradoxo. Os computadores ficaram cada vez menores e os celulares cada vez maiores. Voltamos aos tijolões. Adeus Nokinha na palma da mão. Hoje, sou Samsung. Sumiço estranho esse da Nokia.
Não é o segredo que é a alma do negócio. A alma que é o segredo do negócio.
Pensamento do Dias