Search

A banha e o trem

Como é sabido, a banha de porco era a mercadoria mais valiosa das primeiras décadas do século XIX. O principal, mas não único, rio usado para transportar a banha até Porto Alegre era o Caí, com porto na cidade de mesmo nome.

Cidades ao longo deste curso d’água também se beneficiaram deste comércio, caso de Montenegro. Mas surgiu um imprevisto.

O proprietário da Casa de Banha, Jacob Renner, ousou colocar trilhos na rua Ramiro Barcelos. Usava um trenzinho como cargueiro para levar os insumos e também usava o vapor Montenegro para transporte. 

Porém, isso durou apenas 6 anos, de 1910 até 1916. O motivo foi que a trepidação do trem começou a rachar as paredes das casas. Assim, as reclamações se sucediam, e os proprietários iam para a Justiça. 

Com isso, a Fábrica de Banha tinha que pagar indenizações. Em 1916 desativaram o trem. Como se  vê, já naquela época as pessoas procuravam “seus direitos na Justiça”. A Casa Da Banha deu lugar ao Frigorífico Renner, desativado há muitos anos. Foi uma potência até os anos 1980/90.  

Relato do Egon Arnoni Schaeffer (in memoriam).

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

Deixe sua opinião

Publicidade

Publicidade