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Mágica em títulos

Fazer títulos de matérias nos tempos da máquina de escrever exigia prática e habilidade. Não era para qualquer um.  Não tinha o artifício de computador que permite encolher ou espichar espaços. O falecido jornalista Roberto Eduardo Xavier contou um episódio envolvendo assunto.

Diário da Noite, Rio de Janeiro. O diagramador avisa para o cara que faz a a capa que queria um título em três linhas com três toques em cada.

– Como assim? É impossível – falou o editor de capa.

– Dá um jeito.

Jornalismo é sempre assim, na base do “dá um jeito”. Ou é o patrão dizendo “dá um jeito” quando nega um reajuste salarial, ou é o comercial pedindo – ordenando – a publicação de uma matéria que só interessa ao anunciante, ou quando um editor-chefe dizendo “dá um jeito”, quando o editor não consegue fechar a página, mesmo com o deadline a segundos.

Voltando depois de uma breve incursão de queixas no 0800 do “Fale conosco”: O presidente norte-americano, Dwight Eisenhower – apelidado de Ike – tinha confirmado vinda ao Brasil. O editor sentou à mesa, botou uma lauda de papel na máquina e lascou:

IKE

VEM

AÍ!

Não fosse o ponto de exclamação não fechava. E até que melhorou.

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Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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