Vivemos a Era do Aquário Pequeno. Estamos carecas de saber que se lê cada vez menos e que a cultura do superficial tomou de assalto até as universidades.
Não há professor que não se queixe. E vale o mesmo para quem contrata – exceções à parte. Mas é uma coisa de doido.
A imprecisão no uso de palavras, a dificuldade de definição são falhas antigas. Entretanto, vem crescendo em proporção geométrica. Parece aquele filme A Bolha Assassina, que começa na ponta do dedo e acaba dominando toda uma cidade.
Então não adianta vocês discutirem bases racionais, de conhecimento mútuo. Além da ideologização de tudo – até mocotó é de direita e rúcula é de esquerda – não vejo como discutir com alguém que fala em monopólio da imprensa.
Não saber o que a palavra significa e, mesmo assim, fazer uso dela é jogo duro. O que acontece é que temos peixes nadando em aquários muito pequenos, incapazes de perceber que existem aquários maiores e que mesmo os grandes sabem que não sabem tudo, sabem que sempre haverá um maior. O pequeno não.
Só que ele se acha. Eu volto a usar uma frase do historiador Fernand Braudel: a velocidade do comboio é regulada pelo navio mais lento. O drama maior é que nem isso a maioria consegue entender. Se preferirem, a velocidade da caravana é regulada pela carroça mais lenta.