Como é sabido, a banha de porco era a mercadoria mais valiosa das primeiras décadas do século XIX. O principal, mas não único, rio usado para transportar a banha até Porto Alegre era o Caí, com porto na cidade de mesmo nome.
Cidades ao longo deste curso d’água também se beneficiaram deste comércio, caso de Montenegro. Mas surgiu um imprevisto.
O proprietário da Casa de Banha, Jacob Renner, ousou colocar trilhos na rua Ramiro Barcelos. Usava um trenzinho como cargueiro para levar os insumos e também usava o vapor Montenegro para transporte.
Porém, isso durou apenas 6 anos, de 1910 até 1916. O motivo foi que a trepidação do trem começou a rachar as paredes das casas. Assim, as reclamações se sucediam, e os proprietários iam para a Justiça.
Com isso, a Fábrica de Banha tinha que pagar indenizações. Em 1916 desativaram o trem. Como se vê, já naquela época as pessoas procuravam “seus direitos na Justiça”. A Casa Da Banha deu lugar ao Frigorífico Renner, desativado há muitos anos. Foi uma potência até os anos 1980/90.
Relato do Egon Arnoni Schaeffer (in memoriam).