Jornalismo é monotonia. Esqueça as velhas histórias de pautas empolgantes e casos de jornalistas que vivem de glórias repetidas.
É como horóscopo, em que os signos parecem prever dias cada um de acordo com a data de nascimento, mas que, ao fim e ao cabo, são uma repetição enfadonha de mais do mesmo. Faço esse introito porque a monotonia é o único estado de coisas que alerta o jornalista de que algo está muito errado.
A repetição do desastre
A economia brasileira vive tempos de letargia causada por uma série de fatores, como juros altos, inadimplência recorde, cenário internacional adverso, estragos climáticos que estragam previsões de safras boas. Além disso, um período eleitoral com o velho concurso para ser mais notado e quem grita mais alto.

Nestes anos, acontece algo curioso: os alarmes tocam, mas todos acham que é falso. São coisas de campanha… Quem está no poder diz que é intriga de oposição. Por sua vez, a oposição diz que só cego não vê que está tudo errado.
A lista
De alguns meses para cá, os sinais de desastres deram o ar da graça. Primeiro com a inadimplência e segundo com a sucessão de empresas entrando com pedidos de recuperação judicial.
Normal, dizem os ceguinhos, faz parte. Acontece que há uma palavra-chave que deveria estar na lista dos culpados, mas que, tal e qual o horóscopo diário, é diferente, mas é igual.
E esta palavra grita e como não é ouvida se faz acompanhar de outra: falta renda. Não recordo tamanha falta de dinheiro na história recente.
Ah, dirão, a inflação está baixa. Precisamente. A inflação está baixa porque não há demanda a pressionar os preços.

Olhem os shoppings cheios de gente nos corredores, mas com lojas vazias. Ouçam os donos de restaurantes se queixarem que movimento bom só no final de semana.
Leia nos jornais que o governo bancou duas operações “desenrola” em poucas semanas. Isso é incrível. Mal negociam uma dívida e outra já dobra a esquina. Só quem ainda gasta um pouco é o cara do Bolsa Família. A classe média foi para as cucuias.
Faltam muitos em Nuremberg
Nesta lista de problemas econômicos, o molho é a deterioração da moral. A começar pelo andar de cima. Só se fala em centenas de milhões, como contratos para a mulher de alguém bem posto na hierarquia do poder fingir que presta serviços para um sujeito que conseguiu fazer uma organização para ferrar muitos e ajudar alguns.
E fica por isso mesmo. A moral da pensão foi para as cucuias.

Quanto tempo leva para quebrar de verdade um país pobre, mas metido a besta, com rombo fiscal do tamanho do Everest e enfrentando problemas de toda ordem na base? Países são como clubes de futebol. Não quebram, mas vão para a segunda divisão.
Mar de lama
Deixo de entrar em detalhes sobre o mais novo escândalo da Pátria amada salve, salve. O título da nota é autoexplicativo.
O almoço do Banrisul
Todos os anos, na época da maior exposição de animais e máquinas do Rio Grande do Sul l, a Expointer. o Banrisul promove um almoço de confraternização com a imprensa. Foi nesta quinta passada, com discurso do presidente Fernando Lemos, que não foi discurso, mas uma saudação aos jornalistas.

Na sequência, Lemos reiterou o que vem dizendo sobre a falta de empenho do governo federal na renegociação das dívidas do campo e da lavoura. Tudo se apoia no tripé terra-tecnologia-crédito, falou, e esta última perna está com problemas. O governo editou, mas não regulamentou uma Medida Provisória que trata do tema.
Se não vier até as eleições, o RS terá problemas.